Quanto de ração deve ser oferecido por dia? Com que freqüência?

Existem cálculos precisos que levam em consideração a necessidade calórica do animal, em função de seu peso corporal, faixa etária e grau de atividade física. Contudo, torna-se mais simples consultar as tabelas presentes nos rótulos das rações. Basta saber o peso do cão, então consultamos a quantidade diária daquela ração que o fabricante avalia como ideal. Esta quantidade é então fracionada em pelo menos duas refeições diárias para cães adultos e, em pelo menos, três refeições para filhotes.

O ideal é que seja fornecida uma quantidade diária fixa do alimento dividida em duas ou três refeições para facilitar o processo absortivo e diminuir o risco de transtornos digestivos. Estudos com cães da raça Dinamarquês mostram que os filhotes alimentados à vontade apresentaram mais problemas articulares e deformidades ósseas mais sérias do que o grupo de filhotes alimentados com a mesma ração fornecida três vezes ao dia e em quantidade ajustada de acordo com o peso (Hedhammar et al., 1974). Além disso, cães que são criados com uma ração permanentemente disponível tendem a apresentar obesidade, principalmente quando consideramos raças predispostas como Beagle e Labrador. Cães criados em locais com pouco espaço para atividade física (apartamentos) e que são deixados solitários a maior parte do tempo, devido ao estilo de vida dos seus proprietários, tendem a ter algum grau de ansiedade e passam a comer mais do que o necessário, o que gera obesidade.

A obesidade é um problema sério também nos cães, pois predispõe a uma série de distúrbios como artrose, dificuldades respiratórias, sobrecarga cardiovascular, tendência a diabetes, infecções, desordens hepáticas e maior risco cirúrgico entre outros. Estima-se que entre 28 a 44% dos cães são obesos. Apesar de a obesidade relacionar-se a uma predisposição racial ou a problemas de origem hormonal, a grande maioria dos cães fica obesa devido ao manejo que recebem de seus donos. Hábitos identificados nos donos de cães que contribuem para a obesidade são: negligência na quantidade de alimento fornecida, oferta de petiscos sem reduzir a quantidade de ração, enxergar no apetite aumentado um reflexo de boa saúde, viciar o cão a pedir alimento, prover alimento adicional para amenizar a solidão do animal ou não promover exercícios adequados.

Oferecer a quantidade total de ração em apenas uma vez no dia é considerado um erro, pois comprovadamente dificulta o processo de absorção dos nutrientes, tende a fazer o cão comer mais que o necessário e predispõe o surgimento de problemas digestivos graves e extremos como a torção gástrica especialmente nas raças grandes.

Uma vez escolhida uma boa ração e definida a quantidade diária que o cão receberá, esta deve ser mantida indefinidamente. Ao contrário do que se possa imaginar, os cães são bem mais saudáveis quando criados em uma rotina alimentar constante. Torna-se desnecessária e desaconselhada a troca ou rodízio periódico de sabores ou marcas de ração. No entanto, sempre que se fizer necessária a substituição de uma ração por outra, recomendamos um período de mistura de ração prévia com a nova durante cerca de cinco dias para permitir um ajuste enzimático no trato gastrintetisnal, e, assim, diminuir a chance de ocorrer reações como cólicas ou diarréia.